| Sustentabilidade Humana 1 |
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Uma visão da Psicanálise Há muito comentário e pouca explicação sobre o assunto Sustentabilidade. E, até mesmo sobre o que é ser sustentável. A desinformação é generalizada. No entanto, do dia para a noite, surgem empresas “sustentáveis”, políticos “sustentáveis” etc. E a população, incauta, acaba aceitando o que vê como se fosse “verdade”. É só perguntar em volta de você e encontrará respostas como: “Sustentabilidade é aquele negócio de papel reciclado. Aquele mais caro!” ou “Aquela empresa de tabaco é sustentável. “Tá na reportagem”. Ou ainda “Aquele negócio de ecologia. De proteger macaco e floresta é a sustentabilidade”. Claro que isso tudo também faz parte, uma parte pequena, do conceito de sustentabilidade. No entanto, na maioria dos casos, esquece-se do homem no contexto do assunto. O homem como causador e que recebe e continuará a receber as consequências de seus atos! Ao se falar no assunto, quando muito, fala-se na importância de se economizar água, reciclar materiais. Porém, muitas poucas pessoas fazem isso! Eventualmente, ficamos sabendo de novas tecnologias para os mais diversos fins. Muitas delas, alinhadas com a reciclagem e a proteção ao meio ambiente. A economia de energia, água e materiais. Fala-se na Eco-economia. Só que, em poucos dias, surge outra manchete e o assunto é esquecido. No entanto, fica evidente que, soluções tecnológicas já existem muitas, e que para criar outras até melhores, não será difícil! Então por que não estão implantadas? Por que não as usamos? Por que não fazem parte do nosso cotidiano? Simples, porque o homem não quer mudar! Assim entendemos que esse assunto tem de ser tratado no âmbito humano, psíquico, mental, comportamental, verificando os mecanismos de escolhas que nos trouxeram à situação atual. Não se trata de inteligência ou de falta dela. Nem tão pouco é uma questão tecnológica. Alguns alegam ser uma questão econômica, como se a sustentabilidade fosse mais cara ou prejudicial à economia. Isso é outra ilusão, pois a economia sempre vai se adaptar. Se mudar o comportamento do consumidor – do ser humano, os produtos e serviços mudarão e, a economia vai acompanhar como sempre o fez em toda história da humanidade. O primeiro contato com o tema sob o olhar da psicanálise será uma introdução. Posteriormente poderemos nos aprofundar. Assim proponho quatro olhares, que já foram comentados por outros psicanalistas. Esses enfoques são: O Homem e a Sustentabilidade; O Egoísmo e o Desperdício; A Violência e a Destruição e, O Planeta Ameaçado. Neles a importância se equivale, no entanto é preciso entender que o Homem e sua compreensão do tema é que farão toda a diferença. “A Humanidade é responsável pela sua própria existência e em suas mãos está a chance de criar um ecossistema equilibrado”, afirmou Paulo R.L. Quinet - psiquiatra-psicanalista - em seu artigo “O Homem e a Sustentabilidade”. Dessa afirmação, permita-me discordar de uma palavra: “criar” um ecossistema? O Ecossistema planetário já existe e é composto de inúmeros ecossistemas regionais. Assim a humanidade não necessita “criar”, e sim compreender e interagir de forma equilibrada com o ecossistema existente. Segundo FREUD, o egoísmo sempre marca uma utilidade para o indivíduo. O individualismo atual, de maneira exacerbada, é ligado ao egoísmo, leva o homem a não considerar o próximo, a destruir a natureza. No Dicionário, a definição de “egoísmo” é: “um amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito de outrem”. Esse comportamento do indivíduo desconsiderando os demais está por toda parte. É só olhar pelas ruas e ver o descaso, nas calçadas esburacadas, no trânsito agressivo, no Metrô, etc. Podemos concluir, como escreve o Dr. Leonardo F. Francischelli em seu texto “O Egoísmo e Desperdício”: “Não cuidar do outro ou da natureza é uma doença. A doença do nosso tempo. A doença da globalização”. Que não cuidar do outro é patológico nós concordamos, mas que isso é da globalização, não podemos concordar. Visto que ela sempre existiu, e mesmo a busca de riquezas pelos “exploradores”, “conquistadores”, colonizadores, ao desrespeitar os nativos, está na mesma situação de egoísmo. Que comparando à globalização trata-se de impor um modelo de “comportamento” padrão, focado no “ter”, desconsiderando o “Ser” de cada indivíduo e sua cultura. O desperdício, o descartável, desconsiderando a continuidade o próximo, como isolamento em si mesmo. É marca do egoísmo, do nosso tempo. O egoísmo leva à violência para destruir quem se opuser, mas acaba por destruir o próprio indivíduo. “Parece haver, neste momento, um arrefecimento dos impulsos agressivos do homem em relação à Terra”. Diz o psicanalista Wagner Vidille, em seu artigo “Violência e Destruição”. Entendo que esses atos violentos, sim estão ligados às pulsões de morte no indivíduo. Essas pulsões têm poder sobre o homem, por esse as ignorar. Trata-se de impulsos primitivos ligados aos instintos. Há uma luta constante, entre as pulsões de vida e de morte. A administração delas é o que nos mantêm vivos ou não. Essa intensificação da violência seja ela doméstica, social, econômica, física ou não, ou até mesmo entre nações e para com a natureza, é a demonstração da reação de oposição do eu, do “ego” do indivíduo, de quem ele pensa que é, ou seja, na crença de sua “superioridade” frente a todos os demais. Isto é o passado, ilusório e obsoleto, se opondo à mudança inevitável de que “o novo sempre vem” - como se diz popularmente. Estamos em um momento de mudanças na forma de perceber o mundo que nos cerca. Mais que na “era da informática”, estamos na “era da informação” para gerar inovação, solução. A tecnologia nos dá a errônea impressão de que podemos dominar a natureza. Talvez isso seja parcialmente verdadeiro, quando interferimos em um processo genético, ou quando construímos uma barragem. No entanto, é inócuo para conter um furacão ou um Tsunami. Essa “competição” com a natureza demonstra nossa ignorância. Tanto é que vemos muitos ambientalistas falando em “salvar o planeta”. De novo, uma superioridade egoísta e ilusória atribuída ao homem. Quem precisa ser “salva” é a espécie humana. Visto que os dinossauros, que já estiveram aqui antes de nós, eram maiores, mais fortes, e alguns mais velozes que nós somos e isso não lhes assegurou a sobrevivência. Foram extintos. Outras civilizações existiram antes da nossa, como provam os vestígios arqueológicos e de construções que duram até hoje e foram feitos há milênios! E hoje ainda não temos tecnologias para construir algo semelhante. Em seu artigo - Planeta Ameaçado - a Dra. Anette Blaya Luz – médica-psiquiatra e psicanalista, afirma: “O homem domina a natureza e retira dela muito mais do que precisa para seu sustento. Um desequilíbrio que pode levar ao fim da existência humana”. É preciso entender que o que está em jogo não é a sobrevivência do planeta, ele vive muito bem sem nós humanos. E sim, é a sobrevivência da humanidade que está em jogo! Vamos escolher viver ou perecer? É de conhecimento científico e mais uma vez observou a Dra. Anette: “Quase todos os animais buscam sustento na natureza, no entanto, não retiram mais do que precisam. O homem faz diferente, talvez seja a única exceção”. Isso põe em risco a sobrevivência humana, causa miséria de muitos para atender aos desejos de alguns. O “Ser” deu lugar ao “ter”, assim a comunicação de massa leva a essa “crença” de que ter mais nos torna “melhores”, ou mais felizes que os outros, evidenciando o fator de comparação entre os humanos como referência, apoiando-se na ignorância, no sentido de desconhecimento, da maioria. Assim fica claro que a saída da sobrevivência, muito mais que da tecnologia, depende da EDUCAÇÃO. Sucesso a todos, que esse primeiro contato com o tema nos leve a buscar mais conhecimentos. E que estes nos levem as novas atitudes, simples e que individualmente pequenas, mas que somadas representarão a grande mudança. Vamos SOMAR talentos, COMPARTILHAR informações, SUBTRAIR obstáculos e MULTIPLICAR os resultados. Outubro – 2010 Divirta-se. Professor Ricardo Fera Escritor, psicanalista, palestrante e educador corporativo, professor universitário em administração e recursos humanos, com abordagem em empreendedorismo, sustentabilidade humana e relações interpessoais. Autor do livro A ESCOLHA – A Ciência e a Tradição se Encontram. contato: http://www.ricardofera.com/contato/fale-conosco.html [reprodução permitida desde que mencionado nome e site do autor: www.ricardofera.com] |
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