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Mon 21 May 2012
Homofobia ou Bulling? PDF Imprimir E-mail
   

Relacionamentos

Temas muito comentados pela mídia ultimamente. Como se fosse coisa nova, e que agora há que se encontrar uma solução “mágica”!

Fala-se em criar Leis, como se a existência de uma Lei tivesse poder de resolver. Como se todos fossem cumpridores da Lei, em um país no qual os governantes são os primeiros a descumprir as Leis. Prova disso está no judiciário, com milhares de processos movidos por cidadãos contra o Estado, na busca de seus direitos. Recentemente, mais uma vez o INSS foi obrigado a corrigir, por ordem judicial diferenças em valores pagos a menor aos aposentados!

Nesse clima, vem algumas pessoas, ressaltar o “politicamente correto”, determinando como se deve ou não falar, ou escrever sobre determinados assuntos. Assim cria-se um patrulhamento ideológico, que beira a censura! Pois que, interfere na livre expressão dos cidadãos.

Fazem listas de palavras e termos que não devem ser usados, pois estariam denegrindo, ou depreciando a imagem das pessoas, chamadas por esses termos. É realmente de se admirar, que pessoas com boa escolaridade, intelectuais, e a própria imprensa se deixem levar por observações exteriores do assunto. Que muitas vezes, feitas por leigos “puritanos”, que veem maldade onde não há.

Só como exemplo, vou citar o time de futebol da rua onde eu morava quando criança. E apesar dos apelidos, todos se respeitavam muito. Éramos muito unidos. Só que hoje, com esse patrulhamento “puritano” pareceria politicamente incorreto! Só aos olhos dos leigos! Vamos à escalação:-

Quatro Olho; Testa; Jabá; Marrom; Bola; Defunto; Sapo; Alemão; Japa; Dentinho e Azul (era mais que marrom, assim azul). Esses apelidos, sim são discriminatórios no sentido de diferenciar cada um do grupo. Mas, jamais diminuiu a qualquer um de nós. Sempre foi tudo brincadeira, e que o nosso objetivo era jogar e se divertir. E isso, nós fazíamos e muito!

Não havia o Bulling, pois que as “chacotas” eram diversificadas, e toda vez que alguém exagerava na “perseguição” a um só, os demais interferiam dizendo:- “alivia aí, só dá pra brincar com quem aguenta (. . .)”. Isso naturalmente, e se como um aviso, não desse resultado, outro o faria também. Assim fortalecíamos a unidade do grupo, na diversidade do ser diferente de cada um.

Percebemos cedo, que havia muitos tipos de preconceitos, que as pessoas eram tachadas por sua aparência, idade, sexo, escolaridade, e toda forma equivocada de quem está de fora interpretar o que está ocorrendo em um grupo. De todos o que foi mais grave e dolorido, foi a constatação do preconceito econômico-social. Éramos discriminados e tratados de forma diferente pelas pessoas, em razão de nossa condição econômica, no caso, bastante desfavorável à época.

No Brasil, onde vivíamos, na década de setenta, quem tinha dinheiro não era punido! Mas ser “pobre” era imperdoável pela sociedade, já nascíamos culpados! . . . Antes mesmo de acontecer algo, já sabiam a quem acusar, os meninos “pobres”. Tanto é que não se ouvia falar de algum político que tenha sido punido, mas a polícia tratava a população “pobre” como culpada e a hostilizava. Será que isso mudou?

Essa busca desenfreada por dinheiro a qualquer preço é a confirmação de que esse preconceito, ainda existe e até se agravou! É tratado como mais importante ter algo do que Ser alguém! (. . . ) A intolerância ao “pobre” ao diferente, é ensinada dentro de casa e já na mais tenra infância. Isso se dá pelas “brincadeiras” e piadas, nas quais os preconceitos e modelos do grupo vão se propagando.

É muito comum, bebês receberem de seus pais, roupas de time de futebol! Induzindo a um pensamento em momento que, ainda estão sem qualquer referencia. Com o tempo, iniciam-se as piadas racistas e homofóbicas. E a ridicularizar as pessoas de outros grupos sociais, econômicos ou etnias de origem diferentes. Ex. Estrangeiros internacionais ou “interestaduais” etc.

Assim implantam o efeito “rebanho”, onde um vai os outros também vão. Se agrupam por semelhanças, falam das mesmas coisas, vão aos mesmos lugares, torcem para os mesmos times, contam as mesmas piadas, rezam as mesmas rezas. Repetem os mesmos passos de seus ancestrais, sem se perguntar por quê. Todo e qualquer indício de “diferença” é identificado e “corrigido”, ou melhor oprimido, para se manter tudo “igual” ao que “sempre” foi. A exploração do fraco pelo forte dominante.

Esse comportamento gregário é muito comum no reino animal. E o nosso lado animalizado e pouco humano, nos leva a repeti-lo. Já o que nos torna humanos, é justamente ser diferenciado! Dois seres humanos, irmãos gêmeos, mesmo assim são pessoas diferentes! Tem gostos diferentes, pensamentos diferentes, destinos diferentes. . . E isso é Ser humano, é lindo, é maravilhoso!

O medo do futuro, é que nos faz repetir o passado, sem pensar ou questionar. É mais cômodo, aparentemente mais fácil, gera menos conflitos e desconfortos, só que não cria nada de novo. Afasta-nos de nós mesmos, de nossa humanidade. Causa distúrbios e doenças, como disse Hipócrates o pai da Medicina “o homem que se afasta do seu destino adoece”. A ver pelo sistema de saúde atual superlotado, podemos por analogia concluir que: grande parte da humanidade se afastou do seu destino.

Não como algo fixo, traçado e inexorável, mas sim como sua finalidade de existência. Ser diferenciado, único e mesmo assim aprender a conviver em grupos, com tolerância às diferenças de ser e de opinião. Auxiliando aos que têm mais dificuldade em soltar as amarras, a fazê-lo e experimentar Ser humano, Divino, diferenciado, único, sem com isso se sentir melhor ou pior que os outros. Não há referencia de comparação ou valoração. Todos somos UM. Assim cada um, uma vida que vale uma vida. Quanto vale uma vida? (. . .) Não tem preço.

Concluindo: nem homofobia, nem bulling, apenas intolerância, é o que tem causado tanto sofrimento e desrespeito ao próximo, ao seu semelhante. Que pode ser resolvido sem nenhuma nova Lei, ou qualquer necessidade de patrulhamento ideológico “politicamente correto”. E sim e apenas, pelo respeito ao outro, às diferenças, a tolerância, a aceitação do outro como ele é, e não, como nós queríamos que ele fosse.

Essa proposta de solução, não é tão glamourosa como “descobrir a América”, ou uma nova fórmula de remédio, ou nova Lei, nem dá polêmica na imprensa para agradar aos patrocinadores. Só que, ela é eficaz, e muito antiga. Respeitar para ser respeitado, tratar o próximo como gostaria de ser tratado. Amar ao próximo como a ti mesmo.

Amar é a solução de tudo, e isso tem que ser a partir de onde se está, da sua casa, da sua família. Filhos não são brinquedos, não se trata de brincar de bonecas. Precisam de amor, atenção, apreço, afeto. Educar é ensinar, orientar. Isso toma tempo e requer dedicação e principalmente amor. Educar para ser feliz, humano que consiga respeitar e conviver com outros, diferentes e humanos também.

Divirta-se.

Professor Ricardo Fera 

Escritor, psicanalista, palestrante e educador corporativo, professor universitário em administração e recursos humanos, com abordagem em empreendedorismo, sustentabilidade humana e relações interpessoais. Autor do livro A ESCOLHA – A Ciência e a Tradição se Encontram.

contato: 

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[reprodução permitida desde que mencionado nome e site do autor: www.ricardofera.com]

 

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