| Sustentabilidade Humana Uma visão da psicanálise 2 |
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Em nosso artigo tratamos do tema “SUSTENTABILIDADE HUMANA – Uma visão da psicanálise” com um olhar inicial no qual percebemos o homem como causador e que recebe e continuará a receber as consequências de seus atos! Que soluções tecnológicas já existem muitas, e que para criar outras até melhores, não será difícil! Então, por que não estão implantadas? Por que não as usamos? Por que não fazem parte do nosso cotidiano? Isso, é para a maioria de nós, uma incógnita que procuramos desvendar. Por meio da reflexão do pensamento e do entendimento do comportamento humano.
Podemos responder assim: simples, porque o homem não quer mudar! Assim entendemos que esse assunto tem de ser tratado no âmbito humano, psíquico, mental, comportamental, verificando os mecanismos de escolhas que nos trouxeram à situação atual. Dos quatro olhares, que já foram comentados por outros psicanalistas, a saber: O Homem e a Sustentabilidade; O Egoísmo e o Desperdício; A Violência e a Destruição e O Planeta Ameaçado. Hoje vamos dar mais atenção a dois deles: O Homem e a Sustentabilidade e O Planeta Ameaçado. Percebemos que o egoísmo leva à violência para destruir a quem se opuser, mas acaba por destruir o próprio indivíduo. No entanto há solução no momento atual, pois: mais que na “era da informática”, estamos na “era da informação” para gerar inovação, solução. Embora devamos tomar cuidado com a ilusão de que “tudo pode”, pois, a tecnologia, nos dá a errônea impressão de que podemos dominar a natureza. Tanto é que vemos muitos ambientalistas falando em “salvar o planeta”. De novo, uma superioridade egoísta e ilusória atribuída ao homem, por ele mesmo. Essa visão egoísta e egocêntrica nos leva a uma série de equívocos. E mais, põe em risco a sobrevivência humana, causa miséria de muitos para atender aos desejos de alguns. O “Ser” deu lugar ao “ter”, assim a comunicação de massa leva a essa “crença” de que ter mais nos torna “melhores”, ou mais felizes que os outros. Como veremos a situação é grave e a saída da sobrevivência, muito mais que da tecnologia, depende da EDUCAÇÃO. Veja a que ponto de letargia estamos enquanto população mundial:- (…) “fracassou a conferência climática de Copenhague, em que governos desconsideraram seus cientistas e recusaram-se a assinar um acordo de proteção ao clima. (…)” * [nota-01] A conferência de Copenhague – capital da Dinamarca – entre os dias 7 a 18 de Dezembro de 2009. Foi a Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas. Veja o absurdo que contém essa notícia! E mesmo assim, ficou por pouco tempo na imprensa e logo foi substituída por outra qualquer. Não houve tempo para que a população mundial se aperceber ou reagisse a essa indignidade cometida por seus governantes! Eles, que são eleitos e prestam um juramento de que “o poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Fazendo uma analogia simples: se você tiver dor de dentes, não vai ao mecânico, nem se importa com ele. Vai sim, ao dentista, e acata suas orientações. Nas fábulas de reis, rainhas, princesas, sempre que há um problema que fuja ao conhecimento do rei, ele consulta os sábios do reino, e não ao bobo da corte. Então o que o correu com os governantes mundiais? Desrespeitaram o povo que os elegeu, os sábios (cientistas) de seus países, e aceitaram a influência de quem não tem conhecimento nem discernimento sobre o assunto! Cederam à opinião do “mecânico para tratamento dentário”, “do bobo da corte” para solucionar problemas! Sim, foi isso mesmo. A vontade e o bem estar do povo, foi desrespeitado para atender a interesses mesquinhos e corporativos de companhias atrasadas e obsoletas que sobrevivem da “velha economia”. Esse modelo velho e ultrapassado de economia, está agonizando e buscando por todos os meios “impedir” a renovação. Como se isso fosse possível. Estão apavorados com os novos modelos de economia emergente, que vêm despontando com novas tecnologias, de forma sustentável e altamente lucrativos para todos e não apenas para alguns. É disso que se trata, de lucro. O modelo sustentável é mais lucrativo e distribui renda. Assim incomoda aos que querem continuar a desfrutar do sacrifício alheio para manter seus luxos pessoais. São os incompetentes, incomodados com a competência alheia. As denominadas “economias fortes”, baseadas em crédito e especulação, sem a real contrapartida em produção, são em verdade, fraudes econômicas, que estão vindo a tona. Os déficits dos governos, as “ajudas” internacionais, são meios de encobrir a incompetência de seus dirigentes e a ineficácia do modelo não sustentável de economia (atual). “Nada mudará se o pensamento humano não mudar, pois a troca de um sis tema perverso de relações para um ecologicamente sustentável, com um ecossistema em equilíbrio, só é possível com a transformação do homem”. (…) *[nota-02] Afirmou Paulo R.L. Quinet, psiquiatra psicanalista, com muita propriedade sobre o assunto. Uma vez que o homem é a causa do desequilíbrio atual, alterando-se a causa, ocorrerá a modificação dos resultados. Se o sentimento, leva ao pensamento. O pensamento repetido, se cristaliza no hábito. O hábito cultivado se transforma no caráter. Caráter é a soma das características de um indivíduo. Assim concluímos que para tornar o planeta, mais sustentável, temos que tornar a economia mais sustentável e para que isso ocorra precisamos tornar o homem mais sustentável. E para isso temos que tratar das relações entre os seres humanos. Pois aotratarmos as emoções humanas, trocando informação, atenção, afeto, apresso e amor - os mais preciosos tesouros da vida - , estaremos fazendo a re-conecção com as leis universais e da natureza. Assim, o ser humano estará saudável e seguro nas suas escolhas. No velho modelo: “A procura pelo sustento cedeu lugar à incessante e inquietante busca pelo conforto extremo. A saciedade da fome cedeu lugar à voracidade insaciável”. [nota-03].Afirmou Anette Blaya Luz, médica psiquiatra, psicanalista, em seu artigo PLANETA AMEAÇADO. Isso é um comportamento “virótico” e não de mamíferos, como são os humanos, demonstrando claramente o estado de patologia em que se encontra boa parte da população. Não adianta fazer alarde, ou procurar culpados. Só o amor cura e constroe. Assim, devemos iniciar por nós mesmos, buscando repensar nossa forma de viver e agir. Após isso, pelo nosso exemplo de mudança, vai gerar perguntas nos demais. Aí, nesse momento, vamos responder as perguntas deles e amorosamente, fazer as nossas a eles. Essas, vão desencadear o pensamento questionador interno, que por sua vez vai encontrar a solução, seja qual for o problema. Pois que, se estamos em movimento, mesmo que temporariamente “errados”, por comparação, de acerto e “erro” em pouco tempo todos chegarão à solução. Assim concluímos que todo mundo pode ser mais sustentável do que é. Só tem que sair da “mesmice” da repetição inconsciente de crenças e pensamentos alheios. Tem que assumir o risco de ser feliz, mais livre e responsável por seus atos. Percebendo a conexão de todas as coisas, e a maravilha de, a todo dia poder aprender mais e mais. E, compartilhar com os outros atenção, afeto, apresso, amor - os maiores tesouros da nossa vida. Dezembro – 2010 * As notas 01e 02 estão na página 03 do artigo HOMEM E A SUSTENTABILIDADE de Paulo R.L. Quinet, psiquiatra psicanalista Divirta-se. Professor Ricardo Fera Escritor, psicanalista, palestrante e educador corporativo, professor universitário em administração e recursos humanos, com abordagem em empreendedorismo, sustentabilidade humana e relações interpessoais. Autor do livro A ESCOLHA – A Ciência e a Tradição se Encontram. contato: http://www.ricardofera.com/contato/fale-conosco.html [reprodução permitida desde que mencionado nome e site do autor: www.ricardofera.com] |
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